"A cada dia que passa tenho sinais de que o sentimento do afeto é fundamental para o bom relacionamento entre as pessoas. Ter afeto no sentido de ter afeição por alguém, ou até mesmo por inclinação, simpatia, amizade, amor e outros sentimentos similares, são comportamentos emocionais de uma sensação que une as pessoas. Não tenho dúvida de que é esse o elo entre as pessoas e o que nos faz sermos seres altamente sociáveis, ou seja, vivermos em grupo e sempre estarmos na companhia de alguém. Naturalmente entre as pessoas que nutrem esse sentimento de afeto, pois aquele que se isola, não teria condições de usufruir deste relacionamento prazeroso.Ao ouvir este final de semana uma palestra do professor e escritor Gabriel Chalita, figurinha carimbada nos meios acadêmicos, literários e políticos, tive a confirmação deste sentimento nobre que classifico a afetividade. Sinto-me uma pessoa assim, pois gosto de viver em grupos, necessito do feedback das pessoas e sempre quero estar em companhia de muitas pessoas. Preocupo-me com o outro em todos os níveis e muitas vezes absorvo problemas e alegria das pessoas que amo. Sinto-me como um torcedor fanático que explode de emoção ao ver o gol do time em qualquer partida. Imagino que eu tenha afeto pelas pessoas que estimo.Certa vez o psicoterapeuta Ivan Capellato disse em uma de suas palestras que a relação do afeto está ligada ao fato deste sentimento afetar ou não outra pessoa. Naturalmente o trocadilho do título deste artigo é exatamente chamar a atenção para o sentimento amoroso com relação ao sentimento de interesse. Quem não tem afeto (sentimento) não é afetado (atingido). Gosto desta frase que de forma direta sintetiza muito bem a falta desta emoção que considero básica para uma pessoa do bem. Penso que tudo que quero, de fato, de bom para mim e para os outros, tem que afetar sobremaneira nossas vidas. O afetar neste sentido é fazer a diferença da ausência de um prazer em relação ao outro. Se uma pessoa que gosto está infeliz, isto tem que afetar-me, pois, do contrário o que sinto por esta pessoa na realidade não é tudo isso que imaginava ser.Depois de ouvir e entender o que Capellato e Chalita disseram, passo a observar melhor este sentimento que tenho pelas pessoas que estão ao meu redor. Vou procurar fazer a seguinte pergunta, quando notar algo de estranho na pessoa que gosto: Se “tal pessoa” não está bem, isto me afeta? Se eu chegar a conclusão que não me afeta, será um sinal de que o afeto que tenho por ela não é tão significativo. Daí vou saber dosar para encontrar o ponto de equilíbrio suportável, afinal, devo preocupar-me com as pessoas que gosto, mas não ao ponto de colocar em risco a minha situação. Para eu poder ajudar, preciso estar forte e seguro, do contrário, sou eu quem precisa de ajuda.Quando percebo que uma atitude minha, boa ou ruim, afeta alguma pessoa, certamente devo sentir-me bem. É um sinal de que tenho um significado para aquela pessoa. É lógico que meu comportamento ruim é inconsciente, porque não faria isso de forma proposital se essa pessoa é relevante a mim. Assim sendo a pergunta se meu afeto é afetado pode ser feita tanto para as minhas ações, como para as ações dos outros, e desta forma, vou avaliando o grau de importância que cada pessoa tem em minha vida.Essa experiência parece-me interessante e assim sendo, sugiro que mais pessoas passem a questionar este tipo de situação, pois, segundo os estudiosos é uma excelente maneira de interagir de forma agradável com as pessoas que amamos. Será uma forma, também, de disciplinarmos nossos comportamentos perante os outros, uma vez que, sempre queremos agradar e jamais desejaríamos algo de ruim para aqueles que gostamos e queremos que permaneçam em nossa volta. Não tenho dúvidas que isso irá melhorar a visão que tenho das pessoas, e perceberei em breve que as pessoas também notarão a mudança em meu comportamento.Não existe algo pior, no comportamento humano, do que a indiferença. Vejo isso como algo nocivo nas relações entre pessoas e o pior dos piores sentimentos. Conheci pessoas que se definharam por causa da indiferença alheia, como já assisti pessoas triunfarem com excessiva torcida. Naturalmente aquele que venceu, era uma pessoa querida, enquanto que o outro, nem tanto assim. Desejar ser uma pessoa querida pelos outros, independente de quem seja, é o objetivo de todos. Se assim for, que passemos a questionar quem e o que nos afeta entre as pessoas que convivemos. Vamos procurar desenvolver o sentimento do afeto, afetando positivamente as pessoas, que certamente seremos afetados de forma agradável. Percebo que este tipo de sentimento afetivo só é correspondido com coisa boa, pois aquele que se preocupa com o outro, terá a preocupação dos demais. É uma troca de preocupação mútua.É preciso colocar que todo sentimento exagerado torna-se doentio. Por isso, vamos com calma. Primeiro atinja o campo da observação, para na seqüência agir conforme a necessidade, dosando a retribuição com relação ao valor e ao significado que determinada pessoa tenha. Cuidado, pois, muita preocupação e atenção provocam sentimentos contrários, sufocando e distanciando as pessoas, que um dia tiveram um sentimento bom entre elas. Muito afeto, pode afetar a boa relação. Pense nisto."
Artigo do meu colega, Márcio C. Medeiros (radialista e jornalista, tbm...)
Entendeu? PENSE NISTO!!!
quinta-feira, 4 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Perdas e fins
Quase dou fim nesse blog.
Mas talvez alguns “fins” não sejam tão previsíveis assim. Mesmo quando a gente realmente quer um final.
Já ouviram falar na melhora da morte? Lí num site espírita que ela é provocada pela parte egoísta que não quer deixar que o outro se vá, isso faz com que ele use todas suas forças para ter uma melhora surpreendente, porém todas suas forças não são sufiencientes para traze-lo de volta a vida por muito tempo, e logo em seguida ele se vai, de vez.
Apliquei essa teoria em algumas situações, e isso me fez compreender muitas coisas.
Nosso sub-consciente é realmente algo extraordinário, mas mesmo que transforme nossos desejos em algo real, nada desvia o destino.
Ando dizendo que está tudo bem para escrever alguma coisa. E sempre que começo escrever entro numa crise de que não me sinto mais tão adequada na escrita. Mesmo quando a escrita me é uma salvação.
Preciso aproveitar esse post para agradecer meus amigos. Minhas amizades são dolorosamente fodas e nem um pouco fáceis de se encontrar. São raras pela sua exclusividade. Adoro ter encontrado as pessoas que encontrei. Obrigada a todos, Obrigada Deus.
E mesmo me fazendo de forte, achando que tudo isso é assim mesmo num quase conformismo de que são coisas da vida, dói pra caramba.
Ainda estou sensibilizada com perdas. Mas com uma certa experiencia consegui vivenciar uma perda saudável. Perdas que doem na mesma proporção de que tudo foi muito bom.
Eu sei que não é legal antecipar sofrimento. Mas é que fins e perdas andam fazendo parte de mim no momento. O que aprendi é que, já que é pra perder que seja uma boa perda. Uma ótima perda.
E no fim, ainda não perdi esse blog.
"Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta meu desejo.
Tente me obrigar a fazer o que não quero e você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer, mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade.
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos...
Tínhamos um plano, você mudou de idéia...
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Antes eu sonhava, agora já não durmo.
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe.
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.
Não estou mais interessado no que sinto.
Não acredito em nada além do que duvido.
Você espera respostas que eu não tenho mas, não vou brigar por causa disso...
Até penso duas vezes se você quiser ficar.
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada?
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço...
Enquanto o caos segue em frente, com toda a calma do mundo."
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá
Mas talvez alguns “fins” não sejam tão previsíveis assim. Mesmo quando a gente realmente quer um final.
Já ouviram falar na melhora da morte? Lí num site espírita que ela é provocada pela parte egoísta que não quer deixar que o outro se vá, isso faz com que ele use todas suas forças para ter uma melhora surpreendente, porém todas suas forças não são sufiencientes para traze-lo de volta a vida por muito tempo, e logo em seguida ele se vai, de vez.
Apliquei essa teoria em algumas situações, e isso me fez compreender muitas coisas.
Nosso sub-consciente é realmente algo extraordinário, mas mesmo que transforme nossos desejos em algo real, nada desvia o destino.
Ando dizendo que está tudo bem para escrever alguma coisa. E sempre que começo escrever entro numa crise de que não me sinto mais tão adequada na escrita. Mesmo quando a escrita me é uma salvação.
Preciso aproveitar esse post para agradecer meus amigos. Minhas amizades são dolorosamente fodas e nem um pouco fáceis de se encontrar. São raras pela sua exclusividade. Adoro ter encontrado as pessoas que encontrei. Obrigada a todos, Obrigada Deus.
E mesmo me fazendo de forte, achando que tudo isso é assim mesmo num quase conformismo de que são coisas da vida, dói pra caramba.
Ainda estou sensibilizada com perdas. Mas com uma certa experiencia consegui vivenciar uma perda saudável. Perdas que doem na mesma proporção de que tudo foi muito bom.
Eu sei que não é legal antecipar sofrimento. Mas é que fins e perdas andam fazendo parte de mim no momento. O que aprendi é que, já que é pra perder que seja uma boa perda. Uma ótima perda.
E no fim, ainda não perdi esse blog.
"Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta meu desejo.
Tente me obrigar a fazer o que não quero e você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer, mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade.
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos...
Tínhamos um plano, você mudou de idéia...
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Antes eu sonhava, agora já não durmo.
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe.
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.
Não estou mais interessado no que sinto.
Não acredito em nada além do que duvido.
Você espera respostas que eu não tenho mas, não vou brigar por causa disso...
Até penso duas vezes se você quiser ficar.
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada?
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço...
Enquanto o caos segue em frente, com toda a calma do mundo."
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O passado que não passa
Hoje, vou tentar falar do passado; daquele que você deseja retomar, mas ainda não entendeu como.
Meus sentimentos foram, mesmo que atrapalhados, verdadeiros. Eu te amei e muito. E o que vivi com você, especialmente, não guardei em caixas, gavetas, porta-retratos. A verdade é que tentei destruir todas as provas, mas me restaram cicatrizes, das quais não posso me livrar.
Tentei fazer um tratado de paz solitário - e em vão - pois tratados só são firmados em comum acordo (de ambas as partes). E qual foi o nosso acordo ou desacordo? Nenhum.
- Ao invés de um acordo de paz, fui passada pra trás.
Lutei sozinha contra meu próprio sentimento. E depois da batalha, eu tentei voltar a mim mesma, sem vitória e com grandes feridas. Fui vencida, esquartejada e lançada ao vento.
As lembranças se apresentavam, assim como as novidades devastadoras, mas eu já não tinha mais um norte. A saudade me fez várias visitas. O meu perfume ainda tinha o mesmo aroma, os autores e cantores continuaram produzindo boas obras, o carro levava pro mesmo lugar, tudo aparentemente seguia bem, mas as coisas foram perdendo os nossos cheiros.
Também posso dizer que muitos dias foram silenciados, apesar das informações correrem através de pombos correios e tantos erros cometidos.
- Senti tanta falta de um abraço, de ouvir musica com cafuné, de comer pastel de belém.
Sem acordo, sem tratados e mantendo certa rivalidade, seguimos nossas vidas. Apenas alimentamos, clandestinamente, vontades misturadas com saudades silenciosas, para que ninguém perceba.
E é assim, escondendo, misturando e mantendo o silêncio, que eu me perdi de você e o que ficou são apenas cicatrizes. As feridas cicatrizaram mas tornaram o campo estéril.
Meus sentimentos foram, mesmo que atrapalhados, verdadeiros. Eu te amei e muito. E o que vivi com você, especialmente, não guardei em caixas, gavetas, porta-retratos. A verdade é que tentei destruir todas as provas, mas me restaram cicatrizes, das quais não posso me livrar.
Tentei fazer um tratado de paz solitário - e em vão - pois tratados só são firmados em comum acordo (de ambas as partes). E qual foi o nosso acordo ou desacordo? Nenhum.
- Ao invés de um acordo de paz, fui passada pra trás.
Lutei sozinha contra meu próprio sentimento. E depois da batalha, eu tentei voltar a mim mesma, sem vitória e com grandes feridas. Fui vencida, esquartejada e lançada ao vento.
As lembranças se apresentavam, assim como as novidades devastadoras, mas eu já não tinha mais um norte. A saudade me fez várias visitas. O meu perfume ainda tinha o mesmo aroma, os autores e cantores continuaram produzindo boas obras, o carro levava pro mesmo lugar, tudo aparentemente seguia bem, mas as coisas foram perdendo os nossos cheiros.
Também posso dizer que muitos dias foram silenciados, apesar das informações correrem através de pombos correios e tantos erros cometidos.
- Senti tanta falta de um abraço, de ouvir musica com cafuné, de comer pastel de belém.
Sem acordo, sem tratados e mantendo certa rivalidade, seguimos nossas vidas. Apenas alimentamos, clandestinamente, vontades misturadas com saudades silenciosas, para que ninguém perceba.
E é assim, escondendo, misturando e mantendo o silêncio, que eu me perdi de você e o que ficou são apenas cicatrizes. As feridas cicatrizaram mas tornaram o campo estéril.
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