"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais - por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia – qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!”
Já faz um mês que desfiz as malas... E pensar que nas primeiras vezes em que eu disse que as faria foi mesmo pra fazer um drama e tentar resolver as coisas como uma garota mimada. Confesso.
Demorou mas finalmente comecei a sentir que minha vida é muito mais que um ontem mal resolvido, e agora que as feridas começaram a cicatrizar decidi não mexer mais no que não me impulsiona. Tô cansada de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém, mas é o seguinte: não estou morta, nem tão pouco triste, pelo contrario, estou ótima e quero incomodar bastante ainda.
Não vou negar, às vezes tenho uma vontade besta de voltar, mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido, sabe?! Vontade que bate quando a gente se apega apenas as lembranças boas de uma época, vontade que dá e passa.
Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado.
Depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro.
Descobri que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraca para entrar.
Vou lhes contar um segredo: Pra ser feliz é preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada - Não há nada a ser esperado, muito menos desesperado.
Já repararam quantas surpresas boas receberam naquelas noites que não prometiam absolutamente nada? Então!
"Hoje o tempo voa amor, escorre pelas mãos... Mesmo sem se sentir, que não há tempo que volte amor: VAMOS VIVER TUDO QUE HÁ PRA VIVER, VAMOS NOS PERMITIR!"
segunda-feira, 24 de maio de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Três pedidos
Sei que o conheço, mas talvez não tão bem quanto me conheça - que coisa louca!
O conheço há muito tempo apesar de ter sido tudo o mês passado. O conheço por um acaso generoso e atrasado.
Tornou o meu sincericídio falho, e aprendeu a fazer as coisas funcionarem entre nós sem que eu precisasse me exaustar indicando os caminhos.
Coube perfeitamente na minha intensidade e a minha neurose fria acabou no quentinho do seu colo quando o sono veio.
Tem dentro de sí todos os sonhos do mundo e todo potencial para alcança-los. Ainda assim não é o homem perfeito, pois o homem perfeito é maduro demais, seguro demais e, consequentemente, chato demais...
Sabe quando você faz essa sua cara de sonso despretensioso para a vida, enquanto eu coleciono rugas, berros e inchaços? Sim, essa sua cara de que "não é comigo" vai muito bem com a minha máscara da agressividade que acredita que tudo é comigo.
Quando me cansa enfio a cabeça nas lembranças e percebo que eu tinha tudo para ter te cansado antes, aí então peço a Deus que conserve em você essa paciência e comece fazer brotar em mim um pouquinho dela.
Afinal, às vezes o que parece um trovão é apenas o barulho do mar, né?!
Não sei o dia de amanhã... Talvez eu me satisfaça encontrando em alguém boa parte das suas virtudes, talvez eu tenha que voltar pra te buscar... Enfim, por hora só me resta fazer três pedidos:
- Sempre que possivel reabasteça minha fé.
- Sei que nem sempre estaremos geograficamente próximos, mas seja sempre presente.
- Por último e mais importante - Seja sempre você, e serei feliz.
O conheço há muito tempo apesar de ter sido tudo o mês passado. O conheço por um acaso generoso e atrasado.
Tornou o meu sincericídio falho, e aprendeu a fazer as coisas funcionarem entre nós sem que eu precisasse me exaustar indicando os caminhos.
Coube perfeitamente na minha intensidade e a minha neurose fria acabou no quentinho do seu colo quando o sono veio.
Tem dentro de sí todos os sonhos do mundo e todo potencial para alcança-los. Ainda assim não é o homem perfeito, pois o homem perfeito é maduro demais, seguro demais e, consequentemente, chato demais...
Sabe quando você faz essa sua cara de sonso despretensioso para a vida, enquanto eu coleciono rugas, berros e inchaços? Sim, essa sua cara de que "não é comigo" vai muito bem com a minha máscara da agressividade que acredita que tudo é comigo.
Quando me cansa enfio a cabeça nas lembranças e percebo que eu tinha tudo para ter te cansado antes, aí então peço a Deus que conserve em você essa paciência e comece fazer brotar em mim um pouquinho dela.
Afinal, às vezes o que parece um trovão é apenas o barulho do mar, né?!
Não sei o dia de amanhã... Talvez eu me satisfaça encontrando em alguém boa parte das suas virtudes, talvez eu tenha que voltar pra te buscar... Enfim, por hora só me resta fazer três pedidos:
- Sempre que possivel reabasteça minha fé.
- Sei que nem sempre estaremos geograficamente próximos, mas seja sempre presente.
- Por último e mais importante - Seja sempre você, e serei feliz.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Terminando no terminal
Eu nunca tinha visto uma chuva tão forte. Não eram gotas, era como se o mundo tivesse desabando em água. Era como estar embaixo de uma cachoeira do tamanho de uma cidade. Era impossível não pensar no 2012, por mais que eu ache esse papo maluco e chato.
O taxi parou no trânsito, eu perdi a hora e aproveitei pra chorar usando isso de desculpa. Parecia que a cidade chorava comigo, e o atraso era um sinal para eu desistir de deixa-la.
Perdi o primeiro ônibus e ninguém pode imaginar como foram longas as cinco horas seguintes naquele terminal aguardando o próximo. Tudo que eu não precisava era de tempo livre para pensar e desistir, mas eu tinha, muito.
Enquanto a cidade chorava, eu chorava no terminal terminando aquela etapa da vida... Ele dormia, sem imaginar quantas vezes pensei em encarar um metrô com todas aquelas malas e mudar o rumo da viagem para seu apartamento, mudar o rumo da vida.
Pela primeira vez na minha história posso me orgulhar em ter sido extremamente racional. Não fiz nada do que gostaria, não prolonguei, não cedi, eu não me esgotei.
Eu cheguei. E por aqui tudo igual. Uns fumam, outros enchem a cara, alguns vão de regulador de humor, outros comem beiradas de dedo. Eu encho a cara, e isso junto a minha TPM vira uma bomba, azar de quem está perto. Tento por um pouco de carência formar o casal mais improvavel do mundo e ser feliz. Sustento temporariamente a teoria de que um unfollow, um delete e um block consertam a vida. Me afundo em trabalho e encontro nas coisas mais simples uma satisfação que eu sempre tive e nunca valorizei.
Prefiro ser novamente a filha dependente do que uma mulher lutando pra controlar uma criança grande, livre, inconsequente e egoísta.
Talvez eu não consiga ter prazer hoje porque ainda não me materializei, ainda não estou aqui. Eu tô no ontem, terminando no terminal, apertando o end no celular, evitando novas tentativas e esperanças, olhando a agenda de novo e, só pra tentar contar do meu jeito e me assustar menos, escrevendo um texto. Vai começar tudo de novo.
O taxi parou no trânsito, eu perdi a hora e aproveitei pra chorar usando isso de desculpa. Parecia que a cidade chorava comigo, e o atraso era um sinal para eu desistir de deixa-la.
Perdi o primeiro ônibus e ninguém pode imaginar como foram longas as cinco horas seguintes naquele terminal aguardando o próximo. Tudo que eu não precisava era de tempo livre para pensar e desistir, mas eu tinha, muito.
Enquanto a cidade chorava, eu chorava no terminal terminando aquela etapa da vida... Ele dormia, sem imaginar quantas vezes pensei em encarar um metrô com todas aquelas malas e mudar o rumo da viagem para seu apartamento, mudar o rumo da vida.
Pela primeira vez na minha história posso me orgulhar em ter sido extremamente racional. Não fiz nada do que gostaria, não prolonguei, não cedi, eu não me esgotei.
Eu cheguei. E por aqui tudo igual. Uns fumam, outros enchem a cara, alguns vão de regulador de humor, outros comem beiradas de dedo. Eu encho a cara, e isso junto a minha TPM vira uma bomba, azar de quem está perto. Tento por um pouco de carência formar o casal mais improvavel do mundo e ser feliz. Sustento temporariamente a teoria de que um unfollow, um delete e um block consertam a vida. Me afundo em trabalho e encontro nas coisas mais simples uma satisfação que eu sempre tive e nunca valorizei.
Prefiro ser novamente a filha dependente do que uma mulher lutando pra controlar uma criança grande, livre, inconsequente e egoísta.
Talvez eu não consiga ter prazer hoje porque ainda não me materializei, ainda não estou aqui. Eu tô no ontem, terminando no terminal, apertando o end no celular, evitando novas tentativas e esperanças, olhando a agenda de novo e, só pra tentar contar do meu jeito e me assustar menos, escrevendo um texto. Vai começar tudo de novo.
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