Qual meu problema? O problema é que esse mundinho aqui ficou pequeno pra mim, sim, este mundinho... Esta cidadezinha de gente miúda, de pessoas iguais, com pensamentos cômodos. Quanto mais eu saio aqui, mais percebo que não nasci pra isso. Por isso junto todos os que ainda me acrescentam e prefiro uma mesinha aconchegante do bar mais vazio, ou mesmo o fundo do meu quintal, com boas risadas e ninguém para reclamar do nosso barulho:
-Isso me parece um pedaço agradável de uma agenda encantada, dias felizes, nada demais.
Meu emprego na televisão e no jornal que me permitem mandar em boa parte do meu tempo sem ser, por isso, uma louca duranga, a reta final na faculdade, o costume de escrever até tarde ouvindo antena 1, os mocinhos que aparecem com intervalos de dez ou vinte dias e me abastecem de um gostar possível e descartável, e até mesmo rir de um ou outro ser humano, são coisas que ainda não me soam como banais e aprendi mesmo a chama-las de minha vida.
Agora serão dias achando tudo idiota e até mesmo medíocre. Ainda que sentir de verdade pareça uma outra vida, às vezes cansa viver dentro das coisas que invento. Com você, mesmo eu inventando tudo também, dá pra ter essa sensação de desordem, atropelamento, vida dizendo e não minha cabeça falastrona. Mesmo sendo ofensivo pra minha existência que pessoas como você existam. Mesmo que sua tristeza, preguiça e desistência mostrem pra minha frescura de sentidos como tudo pode ser amargo, e pior: mostrem que tudo sempre foi e eu é que - talvez - seja forte e abençoada demais pra não sucumbir. Mesmo que sua alegria nunca seja por mim. E que sua alegria torne, quando por mim, minha vida intolerável. Sua existência é um absurdo e isso é a maior verdade que me vem à mente quando penso em você ou estamos relativamente próximos.
E você tem razão quando diz que agora estou leve e quieta. Eu estava sempre histérica e hoje eu estou muito quieta, até demais. Talvez seja porque eu não tenho mais a euforia louca de ser amada. Eu piro quando alguém me ama e ao ver em você a calmaria dos vencedores corriqueiros, larguei o corpo. Acaba sendo boa a sensação de um encontro ordinário. Já que tenho que acostumar com eles, que ao menos sejam tranquilos.
Acho que seu desejo morreu e talvez o meu também, já que boa parte desse amor enorme que eu sentia vinha da minha alegria desmesurada em me sentir amada pelos meus próprios sonhos.
Viver essa vida de agora é terrivel, mas quando me sentia amada, era ainda mais terrível. Daí que sobra essa sensação de uma solidão filha da puta mil vezes pois em nada dá pra ser como era com você.
No último andar, lá no alto, na sua cozinha, certa vez, você me colocou no seu colo e deu aquele abraço que disparava corações em mim como se eu tivesse um em cada nó de veia. E me disse, com sua voz tão bonita, todo bobo, que eu tinha uma pinta linda do lado direito da boca. Após isso ficamos discutindo sobre o que era o amor, como se pudessemos chegar a alguma conclusão, afinal nossas idéias nunca bateram... Hoje entendi que o amor era aquilo.
Que vertigem era o nosso amor! E o resultado dele são minhas olheiras, meu cansaço e meus setenta quilos.
- Pronto, falei. Tô sentindo sua falta. Merda.
Eu devia ter pulado da sua sacada quando pude. Não pulei, e hoje já não posso morrer de amor com tanta coisa pra fazer: meus empregos, meus textos, a antena 1, os meninos de dez a vinte dias, os bares, a faculdade, enfim... Tudo isso que é minha vida de antes e depois de você. Tudo isso que daqui a pouco, quando a sensação desgraçada de absurdo e solidão passar, volta e se acomoda. Volta a Ludy para sua agenda encantada, para o sentimento gostosinho no peito que simplesmente é: Esquecer você todo dia um pouco pra vida.
Por que escrevo? Porque é a minha vingança contra todas as palavras e sensações que morrem todos os dias mostrando pra gente que nada vale de nada. Toma esse texto, o único lugar seguro e eterno pra gente.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Coração burro
Desde ontem a noite carrego em mim uma vontade louca de ser verborrágica, bancar a louca e falar tudo que está entalado aqui. Ser transparente como água e objetiva como os homens. Resumindo, me deu vontade de ser honesta. Mas a honestidade trás um ônus que no fundo não sei se estou pronta pra carregar. Traz o fim da questão sem todo o meio de campo... E não sei se quero.É como tirar um peso dos ombros e por outro na cabeça.
Sou do signo de libra e nada equilibrada. Sou direta. Franca. Não sei fazer média nem mentir. E exijo o mesmo das pessoas. Não gosto de meias-palavras ou meias-verdades. Talvez eu seja, sim, o oposto daquilo que você espera de mim. Sou hiperativa ao extremo. Gosto de bichos. Não gosto de muitas pessoas. Minha vida é desalinhada. Dirijo como um homem e choro como uma criança.
Talvez eu mereça mais que isso.
Talvez meu jeito estúpido de amar as pessoas ao meu redor não seja suficiente. Talvez eu precise começar do zero e aprender a amar. Aprender a viver como se diz no manual. Sou temperamental. Aprendi com as aves: Não gosto de ser incomodada sob o risco de eu te dar uma bicada e arrancar seu dedo fora. Gosto da liberdade, mas adoro companhia.
Obs.: Sigo a risca a frase "melhor só do que mal acompanhada".
Não sou a melhor pessoa para te dizer se a festa foi boa, porque já disse que não tenho mais idade (mental) nem saco pra micareta.
Não sei mais paquerar ou fazer joguinho de “não te quero só pra você me querer”.
Não preciso que me queiram pra massagear meu ego. Tá mais que claro pra mim, todos os elogios do mundo não tem 1% da importância que um certo elogio que eu costumava receber tinha. Tenho foco.
Já que o meu mundo é 50% virtual, considero que a melhor coisa inventada recentemente foi o bloqueio. Tá enxendo? Block. Tá se achando? Block. Doeu pra você? Engraçado, pra mim não.
Espero que esse texto não esteja parecendo aqueles perfis rídiculos de orkut, onde meninas sem criatividade fazem listas: "eu amo: chocolate, baladas, amigos... eu odeio: falsidade, dia de chuva..."
Só quero deixar bem claro algumas coisas para quem realmente pensa que me conhece.
Vez em sempre me dou broncas, me odeio, faço as pazes comigo cantando alto no chuveiro que inunda a casa inteira. Deixo a casa uma zona, estrago comida, permito que as flores morram, sujo o sofá de iogurte e assisto a um filme besta sem me preocupar com a opinião alheia. Isso sim é vida e começo a achar que é difícil enjoar de mim, basta ser um pouco humano.
Tenham um pouco de paciência comigo vai, é só uma fase em que estou exigente e acho tudo um porre. Um grandessíssimo porre. De vez em quando, no meio do porre, a gente arruma alguém pra fazer uma coceguinha no nosso coração. Mas aí, depois da coceguinha, a vida volta ainda mais tosca. E tudo volta um porre ainda maior.
Porque ninguém se mantém interessante ou mágico pra sempre?
A gente espera, lá no fundo do coração perdido, soterrado e cansado, que a vida compense de alguma maneira. E a gente ganha dinheiro, compra roupa, aprende novas piadas, entra de cabeça em novos projetos, só pra que a vida compense em algum momento. Só pra ganhar a coceguinha no coração. Coração burro, tadinho. Que preguiça desse coração burro.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
O fim da festa
Caramba, quanto tempo não? Parece até mais tempo do que realmente foi.
Você também sentiu isso?
Engraçado, você não mudou nada.
Eu engordei alguns bons kilos, você percebeu? Sim, sim, por causa daquele velho problema da minha ânsiedade, foi isso mesmo. Afoguei minhas mágoas em muitas pizzas e brigadeiros nessas férias para não sentir sua falta, e olha que isso ajudou bastante. Que mal tem perder algumas calças? Eu tava precisando de roupas novas mesmo.
Percebi que aproveitou bem as férias, viajou, foi matar a saudade da família né? Ví suas fotos. Pois é, ainda não parei com essa atitude "corta pulsos" de olhar seu orkut. Desculpe se ao contrario de você ainda me preocupo em saber se você está bem, esta vivo, feliz.
-Mas você está bem? Está vivo? Feliz?
Trocou de carro né, tava na hora. Trabalha tanto, merece.
Sim, era eu saindo correndo do estacionamento hoje. Fiz isso pois não esperava encontra-lo e não ia dar pra fingir que não o vi como nas primeiras duas vezes que nos encontramos esta noite. Três realmente seria demais.
E daí que quase sofri um acidente? Acidentes são normais na minha vida quando envolvem você.
Vieram me contar que você estava com uma marca no pescoço, dá pra acreditar? Rs...
Fica tranquilo, não esqueci que você é alérgico a lâmina de barbear.
Por falar nos outros, hoje também me perguntaram se eu esqueci você. Fui sincera quando disse que não sei e a única coisa que sei é que eu tinha me acostumado com sua ausência, que ela me fez muito bem.
Leu meus textos? Viu que passei um mês feliz?
Foi assim mesmo... Sorri em todas as fotos, esgotei minhas piadas, desfilei abraços, toquei em muita gente, ganhei alguns presentes, vivi meus 22 anos como alguém de 22 anos, ao contrário de quando estava ao seu lado. Bom né?
Mas pra que, se hoje voltei a atravessar aquela faculdade sozinha e aflita, como alguém que encara o pior dos pesadelos.
A cabeça durante a minha aula estava em outra aula, fui pro pátio e no mp3 player encontrei um universo paralelo.
Por mais que todas as terapias do mundo, todas as auto-ajudas do universo e todos os amigos experientes do planeta me digam que preciso definitivamente não precisar de você, minha alma grita aqui dentro que, por mais feliz que eu seja, a festa é sempre pela metade.
É você quem eu sempre busco com minha gargalhada alta, com a minha perdição humana em festejar porque é preciso festejar, com a minha solidão cansada de se enganar.
Eu não acredito mais na gente, nem em sumir do país, em trocar de emprego, em mudar de religião, em ficar em silêncio até que tudo se acalme, em dormir até tarde, na nova proposta, no novo projeto, no super livro, no filme genial, na nova galera, na academia moderna, no carinha até que bacana que dá cor aos dias cinzas, em baixar o novo CD mais master animado do mundo, em fazer academia, em fazer torta de verdura, em ser batalhadora, em ser fashion, em não ser nada. Mas eu continuo acreditando que tudo sem você é distração e tudo com você é vida.
Já que não existe mais esperanças quando olho nos teus olhos e falo com toda essa sinceridade, este texto tem a missão de sair em sua busca. Pois eu não aguento mais fazer esses monólogos. Eu não escrevo por vaidade, pretensão ou inteligência. Eu escrevo porque eu sei que é assim que vou te encontrar. Eu escrevo porque não posso mais aguentar que a festa acabe, ou que você continue indiretamente acabando com ela.
Você também sentiu isso?
Engraçado, você não mudou nada.
Eu engordei alguns bons kilos, você percebeu? Sim, sim, por causa daquele velho problema da minha ânsiedade, foi isso mesmo. Afoguei minhas mágoas em muitas pizzas e brigadeiros nessas férias para não sentir sua falta, e olha que isso ajudou bastante. Que mal tem perder algumas calças? Eu tava precisando de roupas novas mesmo.
Percebi que aproveitou bem as férias, viajou, foi matar a saudade da família né? Ví suas fotos. Pois é, ainda não parei com essa atitude "corta pulsos" de olhar seu orkut. Desculpe se ao contrario de você ainda me preocupo em saber se você está bem, esta vivo, feliz.
-Mas você está bem? Está vivo? Feliz?
Trocou de carro né, tava na hora. Trabalha tanto, merece.
Sim, era eu saindo correndo do estacionamento hoje. Fiz isso pois não esperava encontra-lo e não ia dar pra fingir que não o vi como nas primeiras duas vezes que nos encontramos esta noite. Três realmente seria demais.
E daí que quase sofri um acidente? Acidentes são normais na minha vida quando envolvem você.
Vieram me contar que você estava com uma marca no pescoço, dá pra acreditar? Rs...
Fica tranquilo, não esqueci que você é alérgico a lâmina de barbear.
Por falar nos outros, hoje também me perguntaram se eu esqueci você. Fui sincera quando disse que não sei e a única coisa que sei é que eu tinha me acostumado com sua ausência, que ela me fez muito bem.
Leu meus textos? Viu que passei um mês feliz?
Foi assim mesmo... Sorri em todas as fotos, esgotei minhas piadas, desfilei abraços, toquei em muita gente, ganhei alguns presentes, vivi meus 22 anos como alguém de 22 anos, ao contrário de quando estava ao seu lado. Bom né?
Mas pra que, se hoje voltei a atravessar aquela faculdade sozinha e aflita, como alguém que encara o pior dos pesadelos.
A cabeça durante a minha aula estava em outra aula, fui pro pátio e no mp3 player encontrei um universo paralelo.
Por mais que todas as terapias do mundo, todas as auto-ajudas do universo e todos os amigos experientes do planeta me digam que preciso definitivamente não precisar de você, minha alma grita aqui dentro que, por mais feliz que eu seja, a festa é sempre pela metade.
É você quem eu sempre busco com minha gargalhada alta, com a minha perdição humana em festejar porque é preciso festejar, com a minha solidão cansada de se enganar.
Eu não acredito mais na gente, nem em sumir do país, em trocar de emprego, em mudar de religião, em ficar em silêncio até que tudo se acalme, em dormir até tarde, na nova proposta, no novo projeto, no super livro, no filme genial, na nova galera, na academia moderna, no carinha até que bacana que dá cor aos dias cinzas, em baixar o novo CD mais master animado do mundo, em fazer academia, em fazer torta de verdura, em ser batalhadora, em ser fashion, em não ser nada. Mas eu continuo acreditando que tudo sem você é distração e tudo com você é vida.
Já que não existe mais esperanças quando olho nos teus olhos e falo com toda essa sinceridade, este texto tem a missão de sair em sua busca. Pois eu não aguento mais fazer esses monólogos. Eu não escrevo por vaidade, pretensão ou inteligência. Eu escrevo porque eu sei que é assim que vou te encontrar. Eu escrevo porque não posso mais aguentar que a festa acabe, ou que você continue indiretamente acabando com ela.
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