segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Perfeita adolescente

Ele não gosta de Antena 1. Não entende muito de TV. É baladeiro, tem um carro rebaixado cheio de apetrechos esportivos, acha Michael Bublé um velho aí, faz questão absoluta de pregar a favor da liberdade, e sempre que eu elogio uma roupa, um acessório ou um perfume, responde sem pudor: "Foi minha mãe que me deu."
De cada cinco pronuncias, uma é “da hora”, outra é "top" e as outras três podem ser intercaladas com "tipo assim", "se pá" ou algum bordãozinho da moda. Se essa descrição me fosse feita há alguns meses, eu, que sempre defendi romances com experientes e articulados homens mais velhos, certamente riria e ignoraria tal existência, nem cogitando uma aproximação. Mas o que seria da vida se o mundo não nos pregasse essas surpresas? Se o mundo não desmentisse nossas verdades absolutas? O mundo é divertido. E por falar em diversão, tenho andado de volta aos meus quinze anos.

Sempre defendi, eu e minhas verdades irrefutáveis, que os homens mais velhos e blá, blá, blá, eram os melhores pra uma relação, talvez pela extrema necessidade de me sentir protegida. Pois muito bem, agora digo que se você acha isso fique com eles então, porque eu ando satisfeita demais para lembrar que eles existem. Imaginem a minha felicidade ao ver um casal discutindo incansavelmente a relação a dois, enquanto eu e ele só discutimos sobre qual será a próxima balada. Esse é o nosso conflito.

Enquanto o mundo adulto pensa, a gente beija, um milhão de beijos para esquecer o mundo.

Ele tem um sorriso sem marcas, de uma doçura sem mágoas. Ele é limpo de dores do mundo. É super querido e vive rodeado de amigos, e ainda que isso torne a sua alegria um pouco sem profundidade, faz com que a superfície brilhe tanto que nada mais importe.

Ele anda o dia inteiro pra cá e pra lá, trabalha pra caramba, mas no fundo é apenas um garoto com toda sua falta de juízo e o rosto mais lindo do mundo. Eu? Vou junto! Com a vida também em ritmo acelerado. O dia inteiro pra lá e pra cá, o dia inteiro em pensamento acompanhando. O dia inteiro desejando que ele apareça para me dar vida, e que ele desapareça para me dar ar. Sentindo um vazio quando ele vai e disfarçando enquanto ele vem.

Você esqueceria qualquer gíria se prestasse atenção naquela boca que as pronuncia. Você esqueceria qualquer "não sei" se prestasse atenção em todo o resto que sabem. Você esqueceria qualquer colo maduro se prestasse atenção a quantas horas está naquele colo que nunca cansa, que nunca pára, tão macio e forte. Você esqueceria qualquer acalanto intelectual se tivesse suas costas e seus cabelos acariciados por horas, por mãos leves, por intenções leves, por momentos silenciosos jamais despertados por celulares, obrigações e cobranças da vida adulta. Quando ele liga e ouço aquela voz, eu sei que aquela é a voz que minha alma precisava. Quando ele sorri desarmado, limitado e impotente, para todas as minhas dúvidas, inconstâncias e chatices, eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisava.

Ele não faz muito pela minha angústia existencial, até por não saber. E consegue tudo de mim. Consegue até o que ninguém nunca conseguiu: me deixar leve.

Sabe rir mole de bobeira? Sabe dançar idiota de alegria? Sabe dormir gemendo de saudade? Sabe tomar banho sorrindo para a sua pele? Sabe cantar bem alto para o mundo entender? Sabe se achar bonita mesmo de pijama e olheiras? Sabe ter ânsia de vômito segundos antes de vê-lo e ter fome de mundo segundos depois de abraçá-lo? Sabe não aguentar? Sabe sobrevoar o frio, o cinza, os medos, os erros e tudo que pode dar errado? Ele consegue fazer com que eu me perdoe por apenas viver sem questionar tanto.

Eu quero parar com tudo isso, ele, apesar dos poucos meses de diferença de idade, é um garoto inconsequente que não pode acompanhar minha louca linha de raciocínio meio poeta, meio neurótica, meio madura. Eu quero colocar um fim neste tormento de desejar tanto quem ainda tem tanto para desejar por aí. Mas aí eu me pergunto: pra quê? Se está tão bom, se é tão simples. Ele me ensinou que a vida pode ser simples, e tão boa. Tô uma perfeita adolescente, e isso parece um texto de diário que termina com o nome dele dentro de um coração desenhado com caneta roxa de glitter com cheiro de uva.

É isso, sei que vocês vêm aqui para ler neuroses, mas estou de férias delas. Umas férias, tipo assim, se pá, da hora.

2 comentários:

Angela Grossi disse...

Ela voltou... estava com saudades dessa Ludy. Seja feliz flor!

Chega de ser lagarta, chegou a vez da borboleta!

bjs

Mariana disse...

Ahhhhhhhhh eu sempre te falei issooo que vc escreveu ta vendo ninguem me escuta kára!!!!!auhahuhauahuahua por isso q eu namoro gente de 17 anos uhauhahauhuahuha oooooooo zueraaa c sabe neh hiahuhuhuhauha amoo vc!!!!!!