quarta-feira, 13 de maio de 2009

Imaturidade alheia

Este é um post para quem tem muita paciência, mas vale a pena, é mais um da sessão "Quero compartilhar com vocês":

Tem coisas que nem Freud explica. Ontem eu aqui devorando a 5ª temporada de Dawson's Creek afim de chegar logo ao final, pois estou curiosíssima, e me deparo com uma situação, que entre muitas outras nessa série incrível, que mexe muito com os sentimentos da gente, me tocou demais. Joey, a heroína da história, se envolve com seu Professor da faculdade. No começo ela relutou e negou qualquer tipo desejo, mentia para sí mesma, mas no decorrer dos fatos ela acreditou que nada ali era por acaso e achou que deveria se render, pela primeira vez na vida, a uma emoção. Resolveu correr riscos, achou que valia a pena. Pena que quando percebeu realmente o quanto estava envolvida, o responsavél pelo sentimento já não o sentia mais, ou pelo menos não sentia mais vontade de correr os mesmos riscos junto a ela. Como Professor Wilder era um homem maduro que já sabia lidar muito bem com seus sentimentos botou um ponto final de uma maneira que na hora para ela soou como covardia e doeu demais, mas ele garantiu a ela que era melhor assim, e que num futuro próximo, quando ela amadurecesse, perceberia que era o certo e saberia absorver apenas as lembranças positivas de tudo isso, que ficaria no coração apenas uma "doce tristeza". Para quem se interessa, esse episódio se chama "In a lonely", é o 16º da 5ª temporada. E aí segue o dialogo de Joey e Professor Wilder, para que vocês tentem entender um pouquinho do que senti:


(Após botar friamente um ponto final no 'envolvimento' com Joey, Professor Wilder vai a exibição de um filme na faculdade de Dawson, e a encontra.)

Professor Wilder - Quero que me odeie!

Joey - Está funcionando. Qual é o melhor final na literatura? Não diga Ulisses, todos dizem.

Professor Wilder - É fácil. Educação Sentimental de Flaubert.

Joey - O que acontece nele?

Professor Wilder - Nada. Dois amigos lembrando sobre a melhor coisa...que nunca lhes aconteceu.

Joey - Como se lembra de algo que nunca aconteceu?

Professor Wilder - Com carinho. Flaubert dizia que expectativa era a forma mais pura do prazer. E a mais confortável. Enquanto as coisas que ocorrem nos decepcionam as coisas que não ocorrem nunca desaparecem. Sempre ficam em nossos corações como um tipo de doce tristeza.

Joey - Parece ...

Professor Wilder - Profundo?

Joey - Não: Covardia.

Professor Wilder - Nós , acadêmicos, não somos conhecidos por termos ...

Joey - Coragem.

Professor Wilder - Deus está me castigando.

Joey - Pelo quê?

Professor Wilder - Sei lá. Devo ter feito algo a uma moça quando eu tinha 18 anos. Não está tentando me fazer reconsiderar, não é?

Joey - Não. Não nos conhecemos muito bem, não é?

Professor Wilder - Não.

Joey - Tem uma imagem de mim que não é verdadeira.

Professor Wilder - Como uma heroína do século XIX?

Joey - Sim. Mesmo que não seja verdade prefiro que continue pensando que é.

Professor Wilder - Posso dar um jeito. Preciso voltar. Estamos bem?

Joey - Estamos.

Professor Wilder - Em cinco anos saberá tudo que sei e muito mais, me compreenderá, e parecerei o maior babaca que já conheceu ... Ou talvez eu já pareça.

Estive pensando sobre, até mesmo porque essa situação é muito familiar para mim, onde está o "você é responsável por aquilo que cativa" de Saint Exupery nos dias de hoje? Se é pra ser assim então que certas pessoas que se acham "superiores, emocionalmente falando" não queiram se envolver com pessoas "inferiores, emocionalmente falando". Na hora a gente diz que entende, que quer sim continuar tendo um bom relacionamento, finge estar feliz e acreditar que aquilo veio apenas para acrescentar na vida da gente, mas no fundo a gente quer gritar que não entende. Que está tudo errado. Que não consegue lidar com aquela dor... E tem coisas que eu não sei e nem espero um dia aprender a lidar. Falta de maturidade nos relacionamentos, mentiras e filha da putice, são algumas dessas coisas.

Envolver-se com alguém, deixar que essa pessoa compartilhe de sua vida, da sua casa, da sua família, que faça parte dela, pra mim é algo muito sério. E a imaturidade com que as pessoas tratam sentimentos alheios simplesmente não me é simples entender. A facilidade com que as pessoas descartam pessoas me corta pela frieza. E eu definitivamente não sou uma pessoa fria. Não trato pessoas como objetos, que servem somente de degraus para que possamos atingir nossos objetivos. Pessoas não são descartáveis. E o mínimo de maturidade e respeito quando se deixa de sentir algo é importante. Somos feitos de sentimentos e sentimentos são mutáveis, pessoas deixam de sentir, sentimentos se modificam, entendo tudo isso. Agora:
Filha da putice é falta de caráter e nada mais. É falta de vergonha na cara!

Eu já magoei muito algumas pessoas, por ser impulsiva, por ser estourada, por falar coisas sem pensar. Mas tenho a consciência tranqüila que em nenhum dos meus relacionamentos alguém pode dizer que me faltou caráter. Que me faltou sinceridade.
Acreditem sou PHD em filha da putice alheia, afinal são 22 anos em que me deparo com alguns dos tipos mais canalhas.
Mas eu?
Eu tenho minha cabeça tranqüila, eu deito no travesseiro e sei que posso ter errado muito, em diversos momentos, mas eu nunca perdi a índole que tenho.
Eu nunca magoei propositalmente, eu nunca usei ninguém, eu nunca fiz ninguém de estepe na minha vida enquanto procurava um pneu novo. Isso me alivia. Mas não serve pra compreender atitudes alheias. Não me ajuda a ver onde esta a naturalidade em usar pessoas, em se aproveitar de sentimentos.
Eu simplesmente não consigo achar natural que se perca o respeito, que falte dignidade e vergonha na cara para assumir olhando no olho do outro o porque de certas coisas.
Mesmo quando foram canalhas e filha da puta comigo, tentei manter o mínimo de civilidade, de respeito, não pela pessoa, e sim pelo que vivemos ou deixamos de viver, no fundo por respeito a mim, ao que eu acredito, pelo que penso eu ser a base de toda e qualquer relação humana.

Mas eu tenho meu limite, eu tenho o ponto que perco toda e qualquer educação, que eu deixo de respirar fundo com deboches, que eu desço do salto, pois eu fervo, e imaturidade alheia, principalmente em assumir que jogou merda no ventilador e que lhe faltou honestidade eu não aturo. Nesse dia, nesse momento, a outra pessoa simplesmente morre pra mim. E depois de morto eu simplesmente paro de sentir qualquer coisa, até mesmo civilidade.

- Afinal não há necessidade de ser civilizado com quem, pra mim, não existe.

Agora pra terminar, deixo um texto da azedíssima e sensacional Fernanda Young (toda mulher deveria cultivar um pouco de Fernanda Young dentro de sí):

"Envio esta carta porque nunca mais quero você na minha frente. E dessa vez falo sério. Nunca mais quero ouvir a sua voz, mesmo que seja se derramando em desculpas. Nunca mais quero ver a sua cara, nem que seja se debulhando em lágrimas arrependidas. Quero que você suma do meu contato, igual a um vírus ao qual já estou imune.
A verdade é que me enchi, de você, de nós, da nossa situação sem pé nem cabeça. Não tem sentido continuarmos dessa maneira. Eu, nessa constante agonia o tempo todo imaginando como você vai estar. E você, numas horas doce, noutras me tratando como lixo. Não sou lixo. Tampouco quero a doçura dos culpados, artificial como aspartame.
Fico pensando como chegamos a esse ponto. Não quero mais descobrir coisas sobre você, por piores ou melhores que possam ser.
Assim, chega. Chega de brigas, de berros, de chutes nos móveis. Chega de climas, de choros, de silêncios abismais. Para quê, me diz? O que, afinal, eu ganho com isso? A companhia de uma pessoa amarga, que já nem quer mais estar ali, ao meu lado, mas em outro lugar? O tédio a dois - essa é a minha parte no negócio?
Sinceramente, abro mão. Vou atrás de um outro jeito de viver a minha vida, já que em qualquer situação diferente estarei lucrando. Mas antes faço questão de te dizer três coisas:
Primeira: você não é tão interessante quanto pensa. Não mesmo. Tive bem mais decepções do que surpresas durante o tempo em que estivemos juntos.
Segunda: não vou sentir falta do teu corpo. Já tive melhores, posso ter novamente, provavelmente terei. Possivelmente ainda esta semana.
Terceira: fiquei com um certo nojo de você. Não sei por quê, mas sua lembrança, hoje, me dá asco. Quando eu quiser dar uma emagrecida, vou voltar a pensar em você por uns dias.

Bom é isso. Espero que esta carta consiga levantar você do estado deplorável em que se encontra. Por remorso. E como já disse, e repito, para deixar o mais claro possível, nunca mais quero saber de você.
Se agora isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Não se expurga um câncer sem matar células inocentes...

Adeus, graças a Deus."


Aguardo a Fernanda que vive dentro de mim se manifestar.

3 comentários:

Carla disse...

Nossa não conhecia os textos da Fernanda, estou boqui aberta...otimo demonstra bem a fragilidade das mulheres e a falta de caracter dos homens, que teimam em achar que tudo tá sempre normal e que somos tragicas e sentimentalistas...Miga bola pra frente estamos juntas nessa...Ainda vamos rir mto da cara de todos eles!!!
Amo mega super e vamos pra BLack...kkkkk

Edivaldo Rossetto disse...

eu li tudo e cheguei vivo ao final! kkk
o comentario mais inteligente que eu consigo fazer no momento é... "concordo" ..

eu tb gosto de Dawson's Creek..

mas esse blog é muito feminista meu deus...

bjus ludy!

...."Rafaela"..... disse...

Ludy...pra que tanta raiva nesse seu coração tão lindo??

Pra que amargar a boca com sentimentos que vc sabe que irão passar!!

Ludy..vc é linda, inteligente, tem maturidade e tem uma coisa que você precisa saber:

" As coisas tem a importância que damos a elas"

Assim como nossas alegrias e nossas dores são do tamanho que queremos que elas sejam...

Não faça de uma pequena chuva, uma tempestade que leva as melhores coisas embora...

Deixa prevalecer apenas o que te fez e ainda te faz bem!!!!

Eu amo muito você minha boneca...

se cuidaaa

beijos